Crônica – Despedida do Olímpico: o último jogo, a última lágrima.
Estou sentado na arquibancada do Olímpico e choro desconsolado.
Foi o último jogo do Grêmio aqui na Azenha e está tudo pronto para a mudança rumo a nova Arena.
Acordei cedo neste domingo ; aliás, nem dormi direito. Melhor, há dias que andava ansioso, pensando neste jogo, o último no Olímpico. Eu sabia, só de ler, da sua inauguração: 19 de setembro de 1954, 2 a 0 no Nacional de Montevidéu , convidado porque também é tricolor. Fiquei pensando como teria sido o último jogo no Fortim da Baixada, no Moinhos de Vento, em 1954. Como foi a emoção da torcida?
Mas agora eu estou aqui, junto com mais 50 mil gremistas que não arredam pé das gerais, sociais e das cadeiras. O último jogo no Olímpico já terminou e meu coração ainda bate acelerado. A torcida canta, pula, o estádio treme. Falo com um sujeito ao meu lado, bem mais velho, que lembra grandes jogos, grandes vitórias, de como o estádio ganhou o anel superior. O tempo do alambrado. O pessoal que assistia as partidas no morro do cemitério.
Estou aqui lembrando Grenais, aquele jogo contra o Palmeiras em que fomos roubados. Fazia um frio intenso. O gol do André Catimba naquele domingo de sol e que nos deu o título gaúcho que há anos não ganhávamos. E o gol do César, no título da Libertadores. Que noite aquela!
A diretoria, vendo que ninguém ia embora, mandou abrir a ponte das sociais que dá acesso ao gramado. Invasão total. Gente arrancando leivas de grama para levar como lembrança, outros tentavam carregar as redes. Acho que este pessoal não vai sair daqui tão cedo. Emocionado, volto a chorar feito uma criança. Adeus, Olímpico, essa despedida vai atrasar o começo da demolição.
Acabo de ouvir no rádio: nas cadeiras, um conselheiro, tomado de emoção, morreu. Disse o repórter que o morto tinha lágrimas escorrendo no rosto.
Faleceu feliz e emocionado como queria e como viveu toda sua vida, sempre junto ao Clube do seu coração. Sua última lagrima foi seu último suspiro.
2013 a Nova Arena do Humaitá trará ao Grêmio uma nova dimensão, porém a emoção de torcer por este grande Clube do futebol mundial permanecerá a mesma ,e, muitas lágrimas e títulos inundarão o mais novo, moderno e maravilhoso estádio, orgulho de todos os gremistas. Novas vitórias virão com a marca do Grêmio: garra,suor e lágrimas!
Ricardo Padilla



