Posicionamento

Sobre a Arena

A nova Arena do Grêmio é um destes acontecimentos que marca a vida de um clube tanto pela magnitude em termos construtivos e patrimoniais como do ponto de vista anímico e simbólico. Embora a participação mais visível do Grêmio Sempre (GS) para os associados e torcedores em geral tenha sido (e ainda seja) a do Dr. Adalberto Preis, o grupo tem sido ativo e preocupado desde as primeiras conversas. Por exemplo, a participação de Irany Sant’Anna Junior na comissão Especial do Conselho Deliberativo, discutindo o embrião do projeto. Naquele período, análise séria e comprometida, realizada por membros do GS, descortinou a evidência de que o que estava sendo apresentado ainda tinha vários pontos de interrogação a serem superados e, em vista disso, foi encaminhado ao Dr Raul Régis de Freitas Lima, recém-empossado Presidente do Conselho Deliberativo, ao final de 2007, um requerimento que acabou originando um estudo da FGV sobre o potencial do projeto. Este estudo permitiu uma série de melhorias no anteprojeto original, fundamentais para dar viabilidade concreta ao Projeto Arena.

Com a eleição do Presidente Duda Kroeff à presidência do Conselho de Administração, o Dr. Preis foi indicado ao conselho de sócios da Grêmio Empreendimentos (GE) e, posteriormente, eleito presidente deste conselho. Havia muito por fazer – era necessário transformar um projeto em PowerPoint em concreto. O Dr Preis, inicialmente, convidou um grupo de gremistas que se dedicou voluntariamente a auxiliar na formatação da GE, iniciando por identificar as ações prioritárias e eleger estratégias para a sua consecução. Participaram desse esforço inicial, e de outras atividades diversos gremistas, contribuindo com seu conhecimento e tempo. Destacamos os membros do GS presentes: Preis, Saul Berdichevsky, Alexandre Aguiar, Renato Souza, Fábio Irigoite, Paulo Luz, Cláudio Tavares, Roberto Liebstein, Irany Sant’Anna Junior, Carlos Diehl, Apolinário K. Cardoso, Ricardo Ely, Antonio Cruz, João Carlos Zago, Carlos Difini Neto, Joel Veiga, Ricardo Padilla, Luiz João de Deus, Roberto Cunha, Paulo Fassina Luz e Jorge Sant’Anna.

Entre as diversas atividades desenvolvidas durante a participação dos membros do GS na GE, cabe destacar pelo menos duas, em especial: o estudo do impacto econômico (rentabilidade) e financeiro (caixa) da Arena no Grêmio e a análise da situação do quadro social. O primeiro estudo realizou um levantamento sobre o efeito que as receitas e despesas terão nas finanças do clube e aponta alternativas simuladas de condução da relação econômico-financeira entre Grêmio e Arena (OAS Superficiária). O segundo estudo faz uma radiografia completa das categorias de sócios do clube, considerando direitos e deveres e possíveis implicações em uma migração para o novo formato, através de profícuo trabalho liderado pelo Conselheiro Saul Berdicheveski, tendo nas pessoas dos Conselheiros Apolinário Krebs Cardoso e Fábio Irigoite, figuras exponenciais na condução desta atividade, sem dúvida das mais estratégicas para o Projeto Arena.

Por fim, cabe destacar a condução da GE por gremistas dedicados, entre eles os membros do GS, em especial o Dr Preis. Estiveram sempre atentos aos diversos trâmites ocorridos em âmbito político, técnico e legal, junto aos governos federal, estadual e municipal, acompanhando diuturnamente os desdobramentos do Projeto em toda a sua abrangência. Em diversas reuniões com representantes da OAS afinaram as relações e ajustaram eventuais discrepâncias. Participaram ativamente de debates e esclarecimentos acerca da situação da GE e possíveis desdobramentos para o Grêmio, seus associados e torcedores. Tal condução dedicada, desinteressada e comprometida com o Grêmio culminou com o grande lançamento da pedra fundamental em 20 de setembro de 2010. Atualmente, a Arena já conta com vários quilômetros de estacas assentadas.

Sobre Futebol Empresa

As tentativas de transformar os clubes em empresas, através de leis, como na Itália, Espanha e Inglaterra, encontram sérias dificuldades. O maior desses obstáculos é o interesse de dirigentes, em manter a atual situação, que lhes permite gerir/manipular dinheiro alheio, aliados, por vezes, a empresários que ganham muito mais que jogadores ou clubes.

Ao avaliarmos essa situação podemos, entretanto, afirmar que independente do aspecto legal, muito pode e deve ser feito, para melhorar a administração do nosso futebol.

O futebol é um produto que, se oferecido com qualidade, pode dar um excelente retorno.

O que precisamos é que ele seja profissional, não só no que diz respeito aos atletas, mas principalmente a sua administração, que vem sendo feita de forma amadora e com paixão clubística.

É necessário planejar, controlar e avaliar o clube, utilizando-se técnicas atualizadas em finanças, recursos humanos e marketing, de acordo com conceitos modernos de administração.

Para se fixar objetivos, um planejamento deve ser feito, estabelecendo-se estratégias a curto, médio e longo prazo, com políticas bem definidas e com a participação dos diversos segmentos que compõem uma agremiação esportiva.

Ainda que possa haver a preocupação por resultados rápidos, não se pode ser imediatista, deixando de lado o futuro distante.

O problema do calendário já por demais comentado e nunca solucionado, é sem dúvida um fator imprescindível para um bom planejamento. É inadiável que os clubes, queiram, exijam e conquistem um calendário que permita programar suas atividades adequadamente.

Ao excesso de competições e em conseqüência de jogos, os clubes não deveriam participar de todas, de forma a se preservar, evitando-se o desgaste pela banalização do futebol espetáculo.

Em qualquer planejamento empresarial deve se avaliar os concorrentes e no futebol isto é de vital importância. E por mais contraditório que possa parecer, os concorrentes precisam estar fortes, para que um campeonato possa ser rentável. Com certeza nossos dirigentes não têm essa visão, preferindo, dentro da sua paixão clubística, que o concorrente se enfraqueça, esquecendo o futebol como negócio.

Abordando o aspecto econômico-financeiro, os nossos clubes contabilizam quantias que merecem um maior cuidado no que diz respeito a sistemas de controles e auditorias, que devem existir permanentemente e não serem exercitadas, somente quando há mudança do grupo político para dirigir o clube. O exame dos patrimônios e balanços dos grandes clubes nos leva a um grande espanto. Como isto pode estar sendo gerido por amadores apaixonados? Uma empresa moderna e competitiva se administra através de um orçamento bem preparado, com um bom sistema de controle, com uma maior preocupação na aplicação dos recursos e com redução de custos.

A situação da administração dos recursos humanos no futebol demonstra um total desconhecimento do comportamento humano. Muito pouco de psicologia, pedagogia e sociologia têm sido utilizado na administração de nossos clubes. Certamente com a aplicação dessas ciências, estaríamos revelando muito mais craques, na expressão total da palavra.

O futebol brasileiro que é uma fonte inesgotável de revelação de talentos, necessita apenas de uma melhor organização fora das ‘quatro linhas’, para evoluir ainda mais do túnel para dentro do campo.

A infra-estrutura do evento futebol: transporte, estacionamento, alimentação e segurança, que deve dar conforto ao torcedor, precisa ser modernizada, para prestar bons serviços, oferecer comodidade e gerar lucros. O marketing moderno tem como principal objetivo à satisfação do cliente. Que tal se aplicar isto ao futebol? Procurando atender ao desejo do torcedor, agregando-lhe novos valores e utilizando-se processos de comunicação modernos e eficazes. O ‘produto’ futebol deve ser analisado, o mercado pesquisado com acurada objetividade e baseando-se nesses estudos, calcular seu retorno, com os investimentos necessários.

As mudanças que estão ocorrendo e ocorrerão no país e no mundo, exigem atitudes muito diferentes das atuais, sob pena, para aqueles que não se modernizarem, não terem perenidade. O futebol paixão exige seriedade e competência. Entendemos que independente da transformação dos clubes em empresas, através de leis, nossos clubes deveriam de imediato, por intermédio de seus associados, diretoria e conselhos, exercendo a sua cidadania, efetuarem modificações urgentes na forma de administrar essas entidades, procurando novos caminhos para torná-los viáveis, fortes, permanentes e vencedores.